Conheça os riscos das terapias hormonais
Data: 09/08/2012

Hormônios podem causar ganho de
peso e até o desenvolvimento de um câncer



Por Laura
Tavares



Para as manchas na pele existe
maquiagem. Para os cabelos brancos, tintura. Para as rugas, cremes. Mas mesmo
todo esse avanço da indústria cosmética é incapaz de reverter ou impedir o envelhecimento. "Envelhecer é um
processo natural do corpo e até hoje não existe nenhum tratamento ou substância
capaz de mudar esse fato", afirma o geriatra Salo Buksman, da Sociedade
Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).



Mas a obsessão pela juventude
começou a popularizar as chamadas terapias hormonais antienvelhecimento,
condenadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). "Elas pregam que a
diminuição dos níveis hormonais no corpo, que começa por volta dos 30 anos,
seja a responsável pelo envelhecimento, enquanto que na literatura médica temos
que o envelhecimento é o responsável pela diminuição dos hormônios",
afirma o especialista.



Assim, sem qualquer embasamento,
são receitados hormônios que vão desde a testosterona até a gonadotrofina
coriônica humana, produzida durante a gestação. Conheça os perigos a que os
adeptos desse tratamento estão expostos:



Câncer



Alguns cânceres, como o de
próstata e o de mama, são considerados hormônio-sensíveis, ou seja, podem ter
seu desenvolvimento estimulado pelos níveis hormonais no organismo. Neste caso,
pela testosterona e pelo estrógeno, respectivamente. "Ainda não
se sabe se eles são capazes de gerar um tumor, mas, certamente, contribuem para
que lesões pré-existentes se desenvolvam", afirma o endocrinologista
Amélio Godói Matos, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
(SBEM). Sabe-se ainda que pessoas com níveis de elevados do hormônio do
crescimento (GH) também apresentam um risco maior de ter câncer de intestino.



Problemas cardiovasculares



Alguns hormônios, como a
testosterona e o hormônio do crescimento (GH), são bastante
populares em academias por levarem ao ganho de massa muscular. O problema é que
eles também aumentam o risco de problemas cardiovasculares.
"Tanto a testosterona quanto o GH em excesso levam ao aumento de todo o
tecido muscular do organismo, inclusive do coração, causando hipertrofia
cardíaca", afirma a endocrinologista Claudia Chang, doutoranda em
Endocrinologia e Metabologia pela USP. Há ainda a procaína, anestésico que promete emagrecer,
mas, na verdade, leva ao aumento da pressão arterial e dos batimentos
cardíacos.



AVC



O uso de testosterona a longo
prazo também está associado a um risco cinco vezes maior de AVC. "Ela aumenta o número de células
vermelhas no sangue, que são responsáveis pela coagulação, o que torna o plasma
mais viscoso", diz o endocrinologista Amélio. O problema é que a alta
dosagem pode resultar na hipercoagulação sanguínea, podendo entupir um vaso e
levar a um derrame. O caso é ainda mais grave quando o paciente sofre de apneia
do sono. Isso porque a má oxigenação sanguínea, decorrente dos períodos em que
a respiração é interrompida, provoca uma produção maior de células vermelhas
que fazem o transporte do oxigênio para os diversos tecidos do corpo.



Atrofia dos testículos



Há muito tempo, especialistas
tentam desenvolver uma pílula masculina capaz de inibir a produção de
espermatozoides pelos testículos. "Um hormônio que tem esse efeito é a
testosterona, mas ela também leva à atrofia dos testículos", afirma o
especialista Amélio. Por isso, o projeto nunca foi para frente. Assim, receitar
altas dosagens de testosterona apresenta mais esse efeito colateral. "Ela
cumpre o papel de inibir as células germinativas, que compõem 80% dos
testículos, mas faz com que seu volume diminua".



Ganho de peso



As terapias hormonais também
costumam receitar a cortisona, medicamento
à base do hormônio cortisol altamente perigoso quando usado fora de suas
indicações. "Um dos efeitos colaterais da cortisona é o aumento da
proliferação de células adiposas, especialmente na região central do
corpo", afirma o endocrinologista Amélio. O uso prolongado pode resultar
ainda na síndrome de Cushing, em que o depósito de gordura se dá no tronco, no
pescoço e no rosto, enquanto que braços e pernas perdem a musculatura e ficam
mais finos. A consequência disso é a fraqueza do paciente, principalmente ao
caminhar ou subir escadas.



Problemas hepáticos



Como o fígado é responsável pela
metabolização de todos os medicamentos, ele pode ser sobrecarregado com a
ingestão de altas doses de hormônios ou remédios. "A aplicação injetável
tem ação direta, então, o perigo maior é em relação àqueles com indicação de
consumo via oral, como um tipo de testosterona usada no passado", afirma a
endocrinologista Claudia. Isso acontece porque as enzimas do órgão nem sempre
dão conta de todos os hormônios consumidos, gerando nódulos que podem evoluir
para um câncer.



Apneia do sono



De acordo com a endocrinologista
Claudia, o uso do hormônio do crescimento (GH) em excesso pode levar ao inchaço
dos órgãos. Entre eles, a língua, problema conhecido como macroglossia.
"Isso pode não só originar um quadro de apneia do sono, já que a passagem do ar
fica bloqueada, como ainda pode piorar um caso pré-existente da doença".
Esse agravamento também pode acontecer com altas dosagens de testosterona. E,
como vários estudos já mostraram, a apneia do sono é fator de risco para
diversas doenças do coração, uma vez que interrompe, ainda que por alguns
segundos, a oxigenação do sangue.



Virilização



Crescimento de pelos no rosto,
queda de cabelos, acne e retenção de líquidos são apenas alguns dos efeitos
colaterais do uso de testosterona sem indicação adequada para mulheres. "O
hormônio causa ainda alterações comportamentais, deixando a paciente mais
agressiva", afirma o endocrinologista Amélio. O uso também pode levar ao
engrossamento da voz e ao crescimento do pomo de adão.



Diabetes



"Como alguns hormônios levam
ao ganho de peso, principalmente na região abdominal, há um risco maior do
desenvolvimento do diabetes", afirma
a endocrinologista Claudia. Embora a gordura seja fundamental para o bom
funcionamento do organismo, ela deve ocupar uma porcentagem pequena do peso
corporal e deve estar distribuída de forma homogênea pelo corpo. A gordura
acumulada na circunferência abdominal aumenta a produção de substâncias que
favorecem o aumento da taxa de glicose, diferente do que ocorre com a gordura
acumulada embaixo da pele ou espalhada pelo corpo esta ajuda a controlar as
taxas de açúcar no sangue.



Fonte: MSN NOTÍCIA – 09 Ago 2012